O China é um senhor que mora embaixo de um carrinho de apanhar papelão na primeira esquina da rua. Tem os cabelos brancos na altura do queixo e aqueles olhos ao mesmo tempo puxados e arregalados que só os chineses têm. Na boca faltam alguns centroavantes, mas anda com esse sorriso banguela e o inseparável boné pelos Jardins o dia todo, sempre com uma porção de caixas no ombro. O carrinho dele, todos os dias, quando passo por lá, está com uns três metros de altura. Não entendo muito bem de medidas e nem sei onde ele arruma tanto papelão (esse povo daqui é tão sovina), mas o fato é que o carrinho fica bem alto.
Quando o China (ninguém sabe o nome de registro dele) chegou, há algum tempo, tinha uma cadela preta. Hoje tem três. As cachorras têm aquelas tigelas de metal para comida e o China arruma as três bem perto da guia da calçada, uma ao lado da outra.
É cuidadoso: prende as cadelas na coleira, amarra no carrinho, dá banho nas "meninas", limpa a casa e tem as cobertas todas dobradas debaixo do carrinho, do lado do rádio de pilha.
O pessoal daqui diz que o China na verdade é rico, que essa coisa de morar na rua e catar papelão dá dinheiro.
Sovinas e cretinos.
(em 04.08.2006)
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