Voltando do aeroporto de Viracopos, em Campinas, vi as torres da Paulista surgindo longe.Certa vez a Fabi e eu, no colegial, fomos até a casa da então patroa dela. O mês trabalhado ainda não havia sido pago - e se existia alguém no mundo que sabia como enrolar, era a tia Beth.
Depois de um fantástico chá de cadeira, saímos da casa com muito "blá, blá, blá" na cabeça e nenhum dinheiro no bolso.
A Bi (por menos que goste da contração) nervosa, com lágrimas nos olhos e eu ali, no papel de amiga-laranja-do-apoio-moral-sem-nada-a-dizer.
Sentamos na calçada de uma das ruas (que ladeira!) mais altas do bairro, ali, na frente da casa da megera. Já era noite.
...
Silêncio leve.
...
- Sabe o que é aquilo?
- O quê?
- As torres, ali.
- Acho que é a Paulista.
- Que Paulista? Avenida Paulista?
- É...lá é bem alto. Aquela ali é a do Sumaré, acho.
- Tá louca...a Paulista é longe!
E é mesmo. Quase tudo é longe quando se mora em Pirituba. Para mim, sempre em casa, a Av. Paulista era o lugar da manutenção do aparelho, onde eu só chegava depois de uma hora e meia de ônibus. Uma viagem.
Ser tão visível do alto do bairro foi, no mínimo, inesperado.
E bonito.
Não lembro sobre o que falamos depois, mas foi o relógio que nos mandou para casa.
"...The lights are much brighter there
You can forget all your troubles,
forget all your cares..."
(Downtown, Petula Clark - 1964)
Um comentário:
Queria ter lido este post antes, pois ontem eu voltei de VCP (também conhecido como CPQ) olhando para o relógio o tempo todo afim de pegar o ônibus das 20h para GRU...
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