quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Baú

Me veio à memória agora, entre a pasta de contas à pagar e o monitor:

Eu era bem pequena, porque ainda não alcançava a mesa sem dificuldade. Minha avó passava a roupa ali no canto: camisa, toalha, calça, meia... toda essa roupaiada que uma casa com nove pessoas tem; eu no outro canto da cozinha, observando e comendo pipoca (essas pipocas doces deliciosas, que vêm no saquinho rosa).

Pipoca acaba rápido; fiquei com o saquinho na mão; mão melada, o saquinho vai para o bolso; saquinho amarrotado no bolso suja a roupa, a vó dá bronca, então volta para a mão melada.

Feio aquele saquinho... todo dobrado, amassado. Alisa daqui, alisa dali...

"Cuidado com o ferro quente!"

A velhinha saiu para guardar a roupa e minha lâmpada acendeu. Dá-lhe ferro quente no pobre do saco colorido.

Devo ter ficado sem televisão por uma semana. Acho que no quadro de punições da minha casa esse seria o castigo.

O ferro, coitado, deve ter pedacinho de plástico grudado até hoje.

Coisa de criança, não sei...só lembrei.

(em 28.06.2006)

Nenhum comentário: