A Renata tinha o cabelo vermelho, 18 anos, um vocabulário interessante e era aspirante à uma vaga no curso de medicina. Jogava futebol, tinha uma mochila estilosa com um zíper gigante e uma papete da qual eu não lembro a cor. Como eu, e como todo bom jovem, queria fazer sua parte para mudar o mundo. Começou com o boicote aos EUA – não consumia qualquer coisa que viesse de lá.
Ninguém – nem o namorado – conseguiu convencê-la a comparecer à grande estréia "Hollywoodiana" do ano: "O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei ". Nem mesmo os elaborados argumentos sobre o Frodo não morrer, sobre a deliciosa pipoca, a MANTEIGA da deliciosa pipoca, a sala no formato "STADIUM", a compra antecipada (para evitar filas)...nada funcionou.
Até que nós, Ivan e eu, com todo o nosso talento compusemos, entre um pastel no centro e o desembarque na estação "Guilhermina", uma belíssima música, parodiando o grande hit do momento .
Não acho justo que tanto talento seja esquecido e desperdiçado (rs). Portanto, para registro escrito:
Vai, Renata, não seja chata
Esse boicote ao cinema não dá pra levar
Que você gosta a gente sabe
Você está doida pra ir não adianta negar
Já foi vista comendo no "Mc", e agora?
Não há mais nada a falar
Se rendeu ao capitalismo burgo. Não tem mais volta.
Ruivinha, se prepara...
Vai ter que ir, vai ter que ir
A gente está indo pro cinema e "cê" vai ter que ir
Vai ter que ir, vai ter que ir
Senão eu canto o dia inteiro pra você ouvir
Pois é...Caetano Veloso pagaria por nossa criatividade.
...
À exceção do cabelo e do namorado que mudaram, nunca mais soube da Renata.
Mas naquela estréia ela foi!
Um comentário:
Confesso que não lembrava de quase anda da letra. Mas foi um super hit por um tempo entre nós naquela época.
Claps para esse registro de bons tempos antigos...hauhauhauaa
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